Hoje resolvi revirar minhas velharias e achei uma caixa de cartas. Daí lembrei que eu era compulsiva por escrever cartas. Adorava! Minha melhor amiga morava longe e eu aproveitava pra colocar em prática a minha paixão pela escrita. Era uma carta por semana, às vezes até duas! Contávamos tudo uma pra outra, tão detalhado que a gente conseguia visualizar cada cena. Essa era a forma que a gente encontrava de ficar mais perto uma da outra. Hoje, essa mesma melhor amiga continua morando longe, e o máximo que a gente escreve é um recadinho no Facebook. Muito de vez em quando mandamos um e-mail contando as estórias completas (mas não com tantos detalhes como nas cartas). Com certeza, hoje sei bem menos sobre a vida dela e ela sobre a minha.
Então eu parei pra pensar: A internet, que era para encurtar distâncias, facilitar a comunicação, conectar pessoas, nos afastou. Será que essa praticidade que o ciberespaço nos proporciona é válida a ponto de a gente aposentar o costume de escrever as boas e velhas cartas? Hoje a gente consegue sintetizar tudo. Muitas vezes, 140 caracteres são suficientes para dizer o que queremos. Mas é tão frio! Recebemos tantos e-mails por dia que um e-mail daquele amigo que está longe passa a ser só mais um. Cadê a emoção de receber aquela carta que você esperou uma semana? A agonia para abrir, ler e responder? E a delícia que é reler essas relíquias e lembrar de cada acontecimento como se fosse ontem?
Não sou avessa à internet, pelo contrário. Adoro! Sou fascinada pelas possibilidades que ela nos proporciona. Mas acho que algumas coisas não deveriam acabar. Me chamem de louca, mas eu preferiria receber um e-mail da minha amiga dizendo "te mandei uma carta hoje", em vez de um e-mail contando brevemente as novidades.
Não sou avessa à internet, pelo contrário. Adoro! Sou fascinada pelas possibilidades que ela nos proporciona. Mas acho que algumas coisas não deveriam acabar. Me chamem de louca, mas eu preferiria receber um e-mail da minha amiga dizendo "te mandei uma carta hoje", em vez de um e-mail contando brevemente as novidades.
Por Helena Hoisel
