terça-feira, 31 de agosto de 2010

[In]Dependências


Depender, verbo transitivo indireto, relacionado a “estar sujeito ou subordinado, sob domínio, influência, arbítrio”. Você é dependente de quê? Hoje acordei pensando em tudo que poderia me restringir, me delimitar por pura dependência. E no meio daquela confusão, imaginei que poderiam existir, ou existem, ainda não sei, dependências boas e ruins.

Comecei pelo que eu, sem antes elaborar nenhum pensamento sobre, imaginava serem boas. A dependência da família, dos amigos, da namorada, do trabalho, dos esportes, do sol... do, da...Imaginei várias dependências minhas. Explorei os pontos fracos, que mesmo imaginando serem coisas boas, aos poucos foram se mostrando muito mais fracos do que se imagina. Parei nas boas.

É difícil admitir as fraquezas. Talvez meus amigos já soubessem dessas dependências. Mas se meus inimigos não sabiam, agora sabem. Então combinei comigo mesmo que irei reverter isso. Por mais que a família seja importante, umas mais outras menos, não se pode abrir mão da evolução em favor da estagnação. Se for para progredir, é necessário que não haja obstáculo maior que o campo de visão. Tudo tem o tamanho que nós estabelecemos. Assim também pensei para tudo mais que pudesse me fazer dependente.

Pessoas vão e vêm corriqueiramente em nossas vidas. O prazer de hoje, amanhã te cansa e depois se renova. O sol sempre nasce outro dia. Não podemos ser dependentes e correr o risco de ver nossa vida passar aos nossos olhos. Revolte-se, reverta. Não permitirei mais.

Não sou a favor do desapego, não mesmo. Mas, por favor, entenda, falo de livrar-nos do limite. Ter coragem para dizer não, talvez ou sim. As dependências são piores que parasitas. ELAS indicam até onde você pode ir, e não você mesmo, senhor da razão.

Bom, no fim do dia, escrevendo aqui, cheguei à conclusão de que não existem dependências boas ou ruins. Hoje, para mim, são todas negativas. Amanhã eu me permito reverter, se for preciso.

Por Leonardo Lemos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Tempo

É incrível como o tempo tem a capacidade de mudar completamente as coisas. Uma situação que antes te deixava desesperado, hoje pode não fazer diferença nenhuma na sua vida. Aquela pessoa que você achava que era muito importante pra você, hoje não te faz a menor falta.

“O tempo cura tudo”. É verdade. E faz a gente rir do que parecia ser o maior de todos os problemas. Faz a gente se dar conta de que nem tudo é o que parece ser. Agimos de uma forma numa certa situação e, depois de um tempo, passamos por essa mesma situação e fazemos tudo diferente. Isso porque o tempo faz a gente olhar pra trás e perceber o que estava errado. A gente consegue olhar com outros olhos, olhar com o olhar de quem está de fora. E percebendo onde erramos, tentamos fazer certo numa outra oportunidade. O tempo faz a gente ser mais racional.

Claro que cada um tem seu ritmo. Muitas pessoas demoram anos para conseguir mudar certas atitudes. Outros não mudam nunca. Mas uma coisa não se pode negar: Nada como o tempo pra fazer a gente se desligar de pessoas, coisas, lembranças.

E mais, quero enfatizar que não adianta aconselhar as pessoas a esquecerem alguma coisa ou alguém e achar um absurdo elas ainda não terem “atendido”. Elas só vão esquecer no tempo delas, só vão fazer o que ELAS querem e na hora que ELAS acharem que devem. Portanto, sejamos mais tolerantes com o tempo das pessoas. Somos diferentes e os nossos tempos também.

Por Helena Hoisel

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Decepções Cíclicas

Sempre cômicas essas decepções de amor. Isso pra não dizer trágicas. Imagine só, alguém acordar no meio da madrugada chorando por alguém que no mesmo momento deve estar com outra. Isso pra não imaginar que o ser desejado pode estar na mesma situação, chorando também, só que por um outro ser que o rejeitou. Vendo as coisas por este ponto de vista, parece que a vida é uma grande roda gigante. E sinceramente, até concordo.
Não é de hoje que ouço dizer que: “A vida é cíclica!”. Talvez isso possa explicar a nossa eterna busca por algo ou alguém que nos complete. Sentimento ou pessoa que nos ponha em dúvida tudo de concreto que conquistamos. E não querendo ser chato, muito menos pretensioso, mas não posso concordar com Veríssimo quando ele diz que não existe pessoa certa, e sim errada. Prefiro acreditar que existem pessoas certas em momentos errados. E acho que isso explica o fato de vivermos nessa busca e, mesmo quando surge alguém muito interessante, nós causarmos uma decepção nela ao rejeitá-la.
É o nosso momento íntimo, algo realmente muito pessoal e intransferível, que nos fará saber se iremos nos decepcionar ao esperar demais, ou decepcionaremos por não estarmos na mesma sintonia da pessoa que nos adora ao ponto de acordar à noite chorando por nós. E veja só como seria cômico se nós acordássemos ao mesmo tempo chorando por outra pessoa! É, acho que assim como a vida, as decepções também são cíclicas.

Por Leonardo Lemos

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Essa tal ansiedade...



  Tenho que parar com essa mania de querer tudo pra ontem. Atropelo o tempo, as fases, as possibilidades. Prejudico histórias, pessoas e, principalmente, a mim mesma. Por que essa ansiedade? Deixo passar oportunidades achando que tenho que agarrar a primeira que surge. Ei, calma, o mundo não vai acabar amanhã.
  Nunca  vi uma frase mais condizente comigo do que “Não sei o que eu quero, só sei que quero agora!”. Por um lado, isso é bom, pois mostra que sou uma pessoa determinada. Por outro, é péssimo, pois faço coisas sem pensar, sem avaliar as consequências, meto os pés pelas mãos e quando eu vejo, já foi.
  Respire, conte até dez, pense mil vezes. Não, não adianta. Simplesmente não consigo contar até dez. Chego no três e me sinto sufocada pela minha própria ansiedade. “Eu quero, eu vou fazer!”. Um dia ainda morro disso. Ou, no mínimo, adquiro uns cabelos brancos.
  Alguma solução pra mim?


Por Helena Hoisel

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Preciso desabafar!

Imaginar o quanto as pessoas estão sofrendo é sempre muito difícil, porque por mais que nos coloquemos no lugar do outro, ainda assim não atingiremos o mesmo patamar na dor. Desta forma, a primeira coisa que vem à cabeça é ajudar, nem que seja com uma palavra, uma presença que passe força ou, melhor ainda, correndo atrás de apoio para reverter a situação. Compaixão, já dizia os antigos escritos deixados por Jesus Cristo como um legado às futuras gerações de simples seres humanos. Tudo bem, sejamos mais compadecidos com nosso próximo. Mas ultimamente uma coisa anda me preocupando e não menos decepcionando: a autopromoção com o sofrimento alheio. Vou ser mais claro.

Em 2008, fortes chuvas assolaram o estado de Santa Catarina e o país inteiro se comoveu com aquela situação. Noticiários revezavam-se na cobertura da tragédia, paralelamente as torrentes que insistiam em não cessar, trazendo consigo morros, plantações, casas, pessoas, sentimentos. Imediatamente, humanos de espírito elevado puseram-se a pensar como ajudar as pessoas dali, já que reverter o acontecido era praticamente impossível. Vidas foram perdidas, outras abstratamente desfiguradas e tantas outras desfiguradas de maneira concreta. Causaram um clamor nacional digno de orgulho e em tão pouco tempo toda nação estava nas ruas com seus agasalhos e cestas básicas enfileirados. Foi lindo ver aquilo. Mas uma coisa me apertava o coração.

Logo ao me deparar com aquela situação, pensei comigo mesmo que algumas coisas ali não faziam muito sentido. E senti até raiva de mim mesmo por pensar daquela forma, mas resolvi organizar minhas idéias primeiro. Pense comigo, ver aquelas criancinhas de olhos azuis e pele clarinha órfãs, idosos entre as estatísticas de mortes trágicas por soterramento, modelos de futuro promissor sendo salvas quase por milagre e não fazer nada não dá. Mas se lembrarmos que há anos no Norte e Nordeste do país existem criancinhas de pele escura, amarela, clarinha e olhos que quase não percebemos mais que têm cor, idosos entre estatísticas de mortes trágicas por inúmeros fatores e pessoas que têm - e outras tantas que nunca tiveram - futuro promissor, morrendo de fome e sede, por catástrofes naturais ou não, abandonadas pelos governos e pelas suas políticas falidas, que nunca tiveram planos infalíveis para suas situações, chega a dar nojo de certas atitudes que, olhando bem, soam como sensacionalismo.

Não quero dizer que sou contra tudo que foi feito no sul do país. Não, não mesmo. Sou completamente a favor da solidariedade. Mas, convenhamos, que seja feito o mesmo esforço para ajudar todos. Nesse caso, metade da metade é no mínimo privilegiar um em desfavor do outro. Isso é mesmo assim, tão puro? Então me aprofundarei mais no assunto. Rapidamente foram levantados milhares de alimentos, roupas, prestadores de serviço. E após 15 dias de clamor público o que achamos quando metade das câmeras de TV foram desligadas? Alguns dos que estavam lá para ajudar se acharam no direito de tirar algumas das doações para si. Entre estes estavam prefeitos, membros de organizações não governamentais e, infelizmente, militares (do exército). Que vergonha eu senti aquele dia, quando o Jornal Nacional anunciou este envolvimento. O pior é que desde o início todos eram unânimes em dizer que estavam ali com as melhores intenções. Era tão bonito de ver e agora é difícil perceber que foi só um novo escândalo no congresso acontecer para que as câmeras saíssem de lá voando direto para Brasília. Isso me faz perder cada dia mais a credibilidade nas palavras das pessoas. Pior ainda é ver a cada dia uma nova bomba estourando quando alguém descobre mais um desvio das arrecadações feitas para Santa Catarina. E enquanto isso, como vão as vítimas da seca no Nordeste? Como vão as vítimas do abandono político no Nordeste? No Brasil de muitas regiões, parece que o povo, enquanto membro da unidade federativa, também não é um só.

Por Leonardo Lemos

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Livre de Preconceitos?



Parada no trânsito, vi uma cena que me fez pensar. Um garoto de mais ou menos 13 anos, negro e bem magro, atravessou a rua em meio aos carros. Imediatamente, numa rapidez impressionante, uma mulher fechou os vidros do seu veículo. Quando percebi, balbuciei um “ridícula”, indignada com a atitude da mulher. Por que achar que ele era ladrão? Porque era pobre? Ou porque era negro? De uma forma ou de outra, foi puro preconceito. Depois de uma pausa, pensei “Será? Será que eu não teria feito a mesma coisa?”. Vivemos num mundo tão violento que, infelizmente, temos que desconfiar de tudo, ser cautelosos. Uma atitude como a dessa mulher é quase automática e acontece toda hora, em todo lugar.

Mas não quero entrar na questão “violência”. O foco desse texto é outro. Minha pergunta é: Será possível ser totalmente livre de preconceitos? Vivo defendendo o não-preconceito por aí e de repente me vejo numa situação em que realmente não sei se não seria preconceituosa. Sempre fui a favor de que as pessoas façam o que têm vontade. Tenho amigos gays, lésbicas, negros, brancos, maconheiros, caretas, tatuados, pagodeiros, alternativos,  religiosos, ateus...Me dou muito bem com todos e me orgulho disso. Sou a favor da felicidade, independentemente de como as pessoas a busquem. Mas será que eu sou tão “mente aberta” como eu tenho pintado? Ou até eu caí na ilusão e acreditei num mundo sem preconceitos que talvez só exista em contos de fadas (ou nem neles!)?

O preconceito vem disfarçado de diversas formas. Algumas pessoas dizem que respeitam a diferença do outro, mas, na prática, é bem diferente. Criticam, excluem, sentem nojo, tentam convencer a mudar de opinião, recebem as notícias como se fossem coisas de outro mundo. É muito fácil julgar os outros pelo que são e pelo que dizem. Difícil é enxergar dentro de si os seus defeitos. Evoluídos são aqueles que, ao enxergá-los, tentam mudar e se tornar pessoas melhores.

Por Helena Hoisel

domingo, 1 de agosto de 2010

Sutis Receitas

Receitas todos têm. Seja de invenções culinárias, mantras positivistas ou até mesmo de uma nova fórmula para emagrecer. Sutil. Numa sutileza desmedida, muitos vivem tentando ser simples e acabam complicando o óbvio. Onde quero chegar? Quando acordei esta manhã, me senti num emaranhado de pensamentos sobre a vida, meus amigos, amores, dores. E perdido em meus pensamentos, vi em mim uma produção constante de receitas sutis...que em alguns momentos se tornaram sutis receitas.
As receitas sutis são aquelas de sujeito comum. Você olha para o lado e vê as pessoas se digladiando num mundo capitalista perverso. Um mundo onde o status fala mais alto do que os princípios. E ainda que você tenha seus princípios bem claros e se alto intitule irredutível quanto a isso, mais cedo ou mais tarde acaba pensando em ser assim também, nem que seja momentaneamente, a fim de apenas experimentar. Talvez isso ajude a esquecer as dificuldades que passam as pessoas irredutíveis e convictas de seu caráter. Para ser mais claro: você passa muito tempo da sua vida estudando, conclui cursos valiosos, adquire experiências e...no fim, o que vale você aos olhos da maioria? Um alienado, talvez. Por outro lado, não tão longe, aquela pessoa que vive de aparência não cuidou do seu jardim, não embelezou sua alma e hoje vê frutificar o culto à frivolidade. Essa é uma receita sutil de levar a vida. Eu não. Hoje eu não quero escrever as receitas sutis da minha vida. Não quero confrontar minha consciência para agradar o mundo. Se lutei até agora e estou vivendo, continuarei confrontando o mundo.

Quando chegamos aos vinte e poucos anos, alguns para mais, outros para menos, parece que a vida te cobra outros olhares, novas marchas. É chegado o momento de colocar na balança. Algumas verdades são descobertas quando olhamos para trás e percebemos que as melhores histórias não poderão ser escritas, bem como os melhores momentos não voltarão. Por isso que fico com as sutis receitas. Assim, não iremos escrever um dia o que deu certo para nós, porque certamente não poderá ser usada na sua totalidade para outros. O que podemos fazer é viver intensamente o hoje. E que pelo menos quem estiver ao nosso lado tire suas conclusões. Não quero receitas fáceis de sucesso, não quero me manter irredutível. Eu quero sentir pesos e sensações do que fiz ontem. Eu tenho exatamente o peso de algumas palavras não ditas, de algumas saudades e muitas verdades.

E nesse momento, parece que estamos voltando de uma batalha. Voltamos cansados, devagar. E se não der para continuar mais, paremos. Regredir também significa ir além. Deu para perceber como todos nós temos nossas sutis receitas? Sempre é tempo de recomeçar. Dizem que a gente tem tudo que precisa. Ok...mas não quero muito. Quero mais. Mais paz, mais saúde, mais dinheiro. Quero mais noites bem dormidas, noites em claro. Mas noites de sexta, mais domingos de manhã. Mais eu mesmo. Mais verdade. Mais do que é demais. E quero mais sutis receitas.

Por Leonardo Lemos